E no dia dos namorados a amizade é o amor que nunca morre.

domingo, 12 de junho de 2011
"Mal posso acreditar que tenho limites, que sou recortada e definida. Sinto-me espalhada no ar, pensando dentro das criaturas, vivendo nas coisas além de mim mesma. Quando me surpreendo ao espelho não me assusto porque me ache feia ou bonita. É que me descubro de outra qualidade. Depois de não me ver há muito quase esqueço que sou humana, esqueço meu passado e sou com a mesma libertação de fim e de consciência quanto uma coisa apenas viva. Também me surpreendo, os olhos abertos para o espelho pálido, de que haja tanta coisa em mim além do conhecido, tanta coisa sempre silenciosa.
(...)
Às vezes, à minha descoberta, segue-se o amor por mim mesma, um olhar constante ao espelho, um sorriso de compreensão para os que me fitam. Período de interrogação ao meu corpo, de gula, de sono, de amplos passeios ao ar livre. Até que uma frase, um olhar — como o espelho — relembram-me surpresa outros segredos, os que me tornam ilimitada. Fascinada mergulho o corpo no fundo do poço, calo todas as suas fontes e sonâmbula sigo por outro caminho. — Analisar instante por instante,  perceber o núcleo de cada coisa feita de tempo ou de espaço. Possuir cada momento, ligar a consciência a eles, como pequenos filamentos quase imperceptíveis mas fortes. É a vida? Mesmo assim ela me escaparia.

Outro modo de captá-la seria viver. Mas o sonho é mais completo que a realidade, esta me afoga na inconsciência. O que importa afinal: viver ou saber que se está vivendo? — Palavras muito puras, gotas de cristal. Sinto a forma brilhante e úmida debatendo-se dentro de mim. Mas onde está o que quero dizer, onde está o que devo dizer? Inspirai-me, eu tenho quase tudo; eu tenho o contorno à espera da essência; é isso? — O que deve fazer alguém que não sabe o que fazer de si? Utilizar-se como corpo e alma em proveito do corpo e da alma? Ou transformar sua força em força alheia? Ou esperar que de si mesma nasça, como uma conseqüência, a solução?

Nada posso dizer ainda dentro da forma. Tudo o que possuo está muito fundo dentro de mim. Um dia, depois de falar enfim, ainda terei do que viver? Ou tudo o que eu falasse estaria aquém e além da vida? — Tudo o que é forma de vida procuro afastar. Tento isolar-me para encontrar a vida em si mesma. No entanto apoiei-me demais no jogo que distrai e consola e quando dele me afasto,  encontro-me bruscamente sem amparo. No momento em que fecho a porta atrás de mim, instantaneamente me desprendo das coisas. Tudo o que foi distancia-se de mim, mergulhando surdamente nas minhas águas longínquas.

Ouço-a, a queda. Alegre e plana espero por mim mesma, espero que lentamente me eleve e surja verdadeira diante de meus olhos. Em vez de me obter com a fuga, vejo-me desamparada, solitária, jogada num cubículo sem dimensões, onde a luz e a sombra são fantasmas quietos. No meu interior encontro o silêncio procurado. Mas dele fico tão perdida de qualquer lembrança de algum ser humano e de mim mesma, que transformo essa impressão em certeza de solidão física.
Se desse um grito — imagino já sem lucidez — minha voz receberia o eco igual e indiferente das paredes da terra. Sem viver coisas eu não encontrarei a vida, pois? Mas, mesmo assim, na solitude branca e limitada onde caio, ainda estou presa entre montanhas fechadas. Presa, presa. Onde está a imaginação? Ando sobre trilhos invisíveis. Prisão, liberdade. São essas as palavras que me ocorrem. No entanto não são as verdadeiras, únicas e insubstituíveis, sinto-o. Liberdade é pouco. O que desejo ainda não tem nome.
(...)
Naquele dia, na fazenda de titio, quando caí no rio. Antes estava fechada, opaca. Mas, quando me levantei, foi como se tivesse nascido da água. Saí molhada, a roupa colada à pele, os cabelos brilhantes, soltos. Qualquer coisa agitava-se em mim e era certamente meu corpo apenas. Mas num doce milagre tudo se torna transparente e isso era certamente minha alma também. Nesse instante eu estava verdadeiramente no meu interior e havia silêncio. Só que meu silêncio, compreendi, era um pedaço do silêncio do campo. E eu não me sentia desamparada.
(...)
É preciso que eu não esqueça, pensei, que fui feliz, que estou sendo feliz mais do que se pode ser. Mas esqueci, sempre esqueci."
(Clarice Lispector em Perto de um coração Selvagem)
Boa tarde blogueiros,

Hoje é dia de reflexão.
As coisas tendem a gritar e eu me sinto silêncio.
Ontem, descobri que ex assumiu publicamente o namoro com a garota com quem me traía.
Choro? - Óbvio.
Raiva? - Evidente.
Tristeza? - Inevitável.
Aceitação? - Jamais.
Por mais que eu procure uma justificativa pra tudo o que me aconteceu, entendo que isso de nada adianta, nada mudará os fatos. Os fatos.
Mas sabe de uma coisa, preciso viver minha vida. Deixar pra trás o que pra trás ficou, e seguir adiante seja como for.

Eu temi nos últimos dias a data comemorada hoje: Dia dos Namorados. Fiz mil conjecturas, sobre tudo, e me surpreendi. A vida, às vezes, nos presenteia e ter amigos é a melhor coisa do mundo.

Apesar da tristeza causada, ontem, pude gargalhar muito. Voltando da pós, encontro em cima da minha cama uma cesta de chocolates e um cartão que dizia:

"Há momentos na vida em que nós somos só sentimento. Nesses momentos, percebemos que sentimentos de alegria, carinho e amizade são fundamentais para alimentar nosso coração e nos trazer a certeza de que nós nunca estamos sós. Sempre existem pessoas especiais que de alguma forma, contriibuem para dar um valor especial à nossa existência. Que bom que existem pessoas como vc!

Porque a gente tamém é fã de você! 

R. e B."

Quem é R. e B.?
São os melhores amigos que Deus poderia colocar na minha vida!
Junto com a V., formamos um belo Quarteto Fantástico! rs.
Amigos tão maravilhosos, gentis, amáveis, que cuidam de mim e que nunca me dão as costas. Obrigado por fazerem parte da minha história. Que nossa amizade e união permaneça! Sem vcs, não sei se conseguiria chegar até aqui.

"A amizade é um amor que nunca morre" (Mário Quintana). 

Blogueiros,

Muitas vezes indago o porquê de tanta dor e decepção. Fico tentando entender a maldade do coração do homem - e não consigo, simplesmente não consigo.
Porém, agraciada pelo convívio com pessoas tão especiais, tenho a esperança e a fé renovada.
Um dia, o amor irá me sorrir outra vez. Um dia, eu sei que vai.

 Bjo, bjo!
E para os amigos R. e B. um beijo maior ainda!!!!

2 comentários:

Gabi Says:
13 de junho de 2011 13:38

Gatinha...

Sabe de quem eu tenho pena nessa história toda...da "outra". Porque se ela acha que vai ser diferente com ela do que foi com vc...ela tá muito enganada! Quem faz uma vez...faz duas...

Eu não me sinto nem um poquinho triste por vc...porque você é uma mulher linda e talentosa...e vai ter tudoooo de bom nessa vida...enquanto que os outros dois...quem são mesmo!? Hehehehe

Nunca se esquece da mulher especial que você é!!

Beijokas gatona!! =**

Sara Caroline Says:
13 de junho de 2011 14:40

Ah Gabi, só vc pra me animar viu!?
Passei o dia dos namorados em prantos, com uma dor avassaladora no peito, mas vc tá certa, eu tb tenho pena dela, pq ele já fez isso com ela 1 vez (fui descobrindo td minina, um horror!) e fará a 2ª - desgraçado.
Quanto a mim, eu vou sim sobreviver, preciso né?!
Daqui um tempo vou tentar me lembrar, mas sem sucesso, afinal "quem é mesmo²"... rs.

Bjosssssss!

PS: Vc assistiu o espetáculo? Recebeu meu recado a tempo?