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0 Outra vida

domingo, 19 de agosto de 2012
"Depois do desastre e mil pedaços,
 recompusemos nossos destroços
 e do que sobrou - um novo começo.

Nossas mãos unidas
ganharam outra força
e reinventamos outra vida."

 (Restauração. Sempre, Darcy França Denófrio).
 
Bom dia blogueiros,
 
Como é bom estar de volta às palavras.
 
Hoje, relendo Darcy França D., me deparei com esse poema que tanto gosto: Restauração.
Está aí algo que busquei com muito afinco e dedicação. Restauração; um novo começo; reinvenção; outra vida.
 
Outra vida.
 
É maravilhoso perceber que, ainda que muitas coisas estejam exatamente no mesmo lugar, eu não estou.
Os conselhos que todas as pessoas do mundo dão e que você, tenta seguí-los (em vão, pois, sem convicção), de repente se tornam sua própria escolha e decisão.
 
Nessa outra vida, você se torna senhor de si e dono da sua razão.
 
Você descobre que não adianta se sabotar, viver melindrosamente, construindo-se em cima de emoções passadas e não mais relevantes.
 
Você percebe que a outra vida é outra mesmo, e que você já não se encaixa naquele velho molde apertado e desgastado. Você cresceu. Na verdade, você se agigantou; está do tamanho certo, o seu.
 
Pois, "depois do desastre e mil pedaços, recompusemos nossos destroços e do que sobrou - um novo começo. (...) e reinventamos outra vida."

Bjo, bjo!

0 Fazendo as pazes com meu passado

domingo, 12 de agosto de 2012
Palavra Adiada

Eu sempre quero lhe dizer a palavra certa
ou quem sabe, a que você mais espera,
no entanto ela fica presa e represa
e mais uma vez protelo o instante.

O que houve entre nós não foi um equívoco,
foi a moenda dos dias moendo o remôo da mó
que moía o nosso macerado trigo de cada dia,
esmagando nossos dois grãos exaustos da moagem.

E vendo seus gestos de remissão e esforço,
eu quero perdoar, mas não sei se posso,
porque antes de nada foi feito para preservar
dentro de mim o incenso de flor-de-laranjeiras.

Nada foi feito para alargar o leito
tão raso e tão cheio de peixes-seixos
por onde fluía o pequeno fio
de meu minguado rio interior.

Darcy França Denófrio in Amaro mar, 1988.



Boa tarde Blogueiros,

Domingo, dia dos Pais, dia de comemoração. Coisa boa.
Parabéns dados ao meu Pai, com direito a presente, almoço com a família reunida, etc e tal. Desejo igualmente muitas alegrias a todos os Pais desse Brasil tão vasto e lindo.

Parabéns Pais!

Destarte, o que me traz ao blog hoje não está ligado ao meu Pai, tampouco aos festejos do dia. Estou aqui para compartilhar com vcs uma situação, no mínimo, cabulosa e quem sabe, surpreendente.

Pois bem.

Para aqueles que já acompanham o blog há algum tempo, peço licença para fazer um "brief history" de 2010 até hoje:

Conheci alguém; me apaixonei; amei: 2010/2011; rompemos: março/2011; desespero, tristeza generalizada por meses a fio; terapia; viagens; atitudes impulsivas e desregradas; romance cinematográfico direto da Itália para o Brasil; perda de uma das pessoas mais amadas em toda minha vida, meu avôzinho; "alta" na terapia (saudades da linda Dra. Jolie): 2011; redescobrimento de mim; superação; equilíbrio emocional; novos propósitos de vida; alegria; paz: 2012.

Em 2012, acerca de dois/três meses, inicio o processo de coaching, e coloco um ponto final, de uma vez por todas, em qualquer vestígio pernicioso na minha vida; incluindo o antigo relacionamento e, por óbvio, o ex.
 
Vencidas todas essas etapas e voltando aos dizeres de um certo e-mail, enviado em meados de abril/2011, eis que decido: Agora sim, estou pronta.
 
Pronta pra quê?! Pra ter contato com a pessoa que desencadeou muitos dos acontecimentos relevantes em pelo menos, dois anos da minha vida.

Como isso aconteceu? Face; what's up; reencontro, como ele mesmo disse: cara a cara.
Sim queridos blogueiros, nos reencontramos.
Ontem. No "lugar de sempre", não é mesmo ex?! (Sim, ele está lendo; na verdade me questionou se seria motivo de um post novo e, atendendo a pedidos, é, rs).
 
O que eu quero dizer com isso tudo queridos é que fiz as pazes com meu passado.
Depois de um ano e meio, nos encontramos, conversamos, civilizadamente, como dois adultos, com emoções e ânimos acalmados.
 
O resultado disso tudo foi descobrir que a raiva, a ira, o amor contrariado e mal resolvido, a decepção, a tristeza, enfim, passa. Com o tempo, tudo passa e tudo toma a forma devida.
O amor existiu, para ambos; e acabou, também para ambos. Ele seguiu sua vida e eu, a minha.
 
Hoje, eu só tenho a agradecer; a Deus, por me fazer forte; a vida, por me tornar cada dia mais humana; a família, que me deu suporte; aos amigos, que não me deixaram sozinha um instante sequer; e a vc, ex, que apesar de todos (e não são poucos) os pesares, mudou a forma de eu ver o mundo e de encarar a minha própria existência.
 
Eu sou a soma dos momentos bons e maus, alegres e tristes, divertidos e raivosos; sou um conjunto de coisas, sentimentos, percepções e experiências. 
 
Eu sou "uma metamorfose ambulante"...

Bjo, bjo.

1 A alegria fugidia

segunda-feira, 18 de junho de 2012
ORAÇÃO A TERESINHA DO MENINO JESUS

Perdi o jeito de sofrer.
Ora essa.
Não sinto mais aquele gosto cabotino da tristeza.
Quero alegria! Me dá alegria,
Santa Teresa!
Santa Teresa não, Teresinha...
Teresinha... Teresinha...
Teresinha do Menino Jesus.

Me dá alegria!
Me dá a força de acreditar de novo
Pelo Sinal
Da Santa
Cruz!
Me dá alegria! Me dá alegria,
Santa Teresa!...
Santa Teresa não, Teresinha...
Teresinha do Menino Jesus.

(Manuel Bandeira)

Pois bem Blogueiros,

Quero alegria, me dá alegria!
Alegria que há muito se perdeu

por tantos caminhos tentou voltar,
chegou bem perto, pertinho,
mas como num piscar de olhos se fez fugidia,
desertora, esquiva...

Oh sentimento impalpável e tempestuoso!
volte a fazer morada aqui!
dentro de mim.

Ainda que por breve lapso de tempo
traga o sorriso maroto,
aquele gostoso que sempre escapava
entre risos e beijos nervosos


e olhares que mais diziam do que viam...

0 Oscar de Melhor Curta de Animação 2012: The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore

quinta-feira, 1 de março de 2012
Boa noite Blogueiros,

Quero compartilhar com vocês um pouco sobre o Curta Metragem de Animação vencedor do Oscar 2012: The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore.

O filme de William Joyce e Brandon Oldenburg tem pouco mais de 15 minutos de duração e faz uma adorável e importante homenagem à literatura.

Dar asas à imaginação, ver o mundo com outros olhos. Cor, música, vida!
Vida... Os livros tem vida própria, eles dançam, se ajeitam, observam, sentem, são reais, tal como nós. Tudo é possível, tudo se torna realidade quando lemos.

O filme é emocionante, envolvente e surpreendente do começo ao fim. Possui uma bela trilha sonora, contando ainda, com os sons feitos pelas ações dos livros voadores do Sr. Morris - o  “cirurgião das palavras” -, o qual utiliza instrumentos inusitados para salvar um livro, fato que influenciará na escrita de sua própria obra.
"O filme ressalta a importância da leitura, deixando claro que uma pessoa que não mantém uma relação constante com os livros é considerada quase que desprovida de vida." (Cinema em Cena ).
 
 


"Dupla delícia. O livro traz a vantagem de a gente poder estar só e ao mesmo tempo acompanhado." (Mário Quintana).
 
Bjo, bjo

0 Comer, rezar, amar

terça-feira, 3 de janeiro de 2012
“Tenho um histórico de tomar decisões muito rápidas em relação aos homens. Sempre me apaixonei depressa e sem avaliar os riscos. Tenho tendência não somente a ver apenas o que há de melhor nas pessoas, mas a partir do princípio de que todo mundo é emocionalmente capaz de alcançar o potencial máximo. Já me apaixonei pelo potencial máximo de um homem mais vezes do que consigo enumerar, em vez de me apaixonar pelo homem em si, e em seguida agarrei-me ao relacionamento durante muito tempo (algumas vezes, tempo demais), esperando que o homem chegasse à altura de sua própria grandeza. Muitas vezes, no amor, fui vítima do meu próprio otimismo. Casei-me jovem e depressa, cheia de amor e esperança, mas sem conversar muito sobre o que significariam as realidades do casamento. Ninguém me deu conselhos sobre meu casamento. Meus pais haviam me criado para ser independente, auto-suficiente, para tomar as minhas próprias decisões. Quando cheguei aos 24 anos, todos partiam do princípio de que eu era capaz de fazer minhas próprias escolhas de forma autônoma. E claro que o mundo nem sempre foi assim, Se eu houvesse nascido durante qualquer outro século do patriarcado ocidental, teria sido considerada propriedade do meu pai, até que ele me entregasse ao meu marido para que eu me tomasse propriedade sua pelo casamento. Eu teria rido muito pouca coisa a dizer sobre as grandes questões da minha vida. Em outro período da história, caso um homem houvesse se interessado por mim, meu pai poderia ter se sentado com esse homem e desfiado uma longa lista de perguntas para verificar se aquela seria uma união adequada. Ele teria perguntado: "Como você vai sustentar a minha filha? Qual a sua reputação nesta comunidade? Quais são as suas dívidas e bens? Quais são os pontos fones do seu caráter?" Meu pai não teria simplesmente deixado eu me casar com qualquer um pelo simples fato de eu estar apaixonada pelo sujeito. Na vida moderna, porém, quando tomei a decisão de me casar, meu moderno pai não se intrometeu em nada. Ele não teria interferido nessa decisão, da mesma forma como não teria me dito que penteado usar. Acreditem em mim: não tenho nenhuma nostalgia do patriarcado. Mas o que passei a perceber foi que, quando o sistema do patriarcado foi (felizmente) desmantelado, ele não foi necessariamente substituído por outra forma de proteção. O que quero dizer é o seguinte: nunca me passou pela cabeça fazer a um pretendente as mesmas perguntas difíceis que meu pai poderia ter-lhe feito, em uma época diferente. Eu me entreguei ao
 amor muitas vezes, unicamente em nome do amor. E algumas vezes, ao fazer isso, entreguei também tudo que eu tinha. Se eu quiser realmente me tornar uma mulher autônoma, então preciso assumir esse papel de ser minha própria protetora. Em uma frase famosa, Gloria Steinem certa vez aconselhou às mulheres que elas deveriam se transformar nos homens com quem gostariam de se casar. O que só percebi recentemente foi que não apenas eu preciso me transformar no meu próprio marido, mas preciso me transformar também no meu próprio pai. E é por isso que, nessa noite, fui para a cama sozinha. Porque sentia que ainda não estava na hora de eu aceitar um pretendente.”

"Comer, rezar, amar" de Elizabeth Gilbert.

O texto dispensa cometários.

Como eu tô adorando esse livro!

Bjo, bjo blogueiros!

0 Essas coisas levam tempo...

terça-feira, 27 de dezembro de 2011
“- O que você tem que está toda ensimesmada? - pergunta ele com seu sotaque arrastado, com um palito na boca, como de hábito.

- Não pergunte - respondo, mas em seguida começo a falar e lhe conto tudinho, concluindo com: - E o pior de tudo é que não consigo deixar de pensar obsessivamente no David. Pensei que tivesse esquecido ele, mas está tudo voltando.

- Espere mais seis meses, vai se sentir melhor - diz ele.

- Eu já esperei 12 meses, Richard.

- Então espere mais seis. Vá somando mais seis meses até esquecer. Essas coisas levam tempo.

Solto o ar pelo nariz com força, como um touro.

- Escute aqui, Sacolão — diz Richard. — Algum dia você vai olhar para trás, para este momento da sua vida, e pensar que época deliciosa de luto ele foi. Vai ver que estava lamentando a sua perda, e que o seu coração estava despedaçado, mas que a sua vida estava mudando, e que você estava no melhor lugar possível do mundo para fazer isso: em um lindo lugar de adoração, cercada de graça. Aproveite esse tempo, aproveite cada minuto.”

(“Comer, rezar, amar”, Elizabeth Gilbert)

Blogueiros queridos,

Esse final de ano está mexendo demais com minha cabeça.

Procurando um arquivo no note encontrei, meio por acaso, algumas fotos que havia “camuflado” em uma pasta, referentes ao antigo relacionamento. Resolvi abrir e ver o que havia ali, e tive uma agradável surpresa.

Vi fotos de momentos, viagens, aniversários e tantas outras passagens que marcaram o namoro e descobri...
Descobri que estou curada.
Curada das feridas outrora abertas, fruto dessa relação desmedida e obsessiva.

Eu o perdoei. (Não que para ele valha alguma coisa ou faça diferença. Foda-se. Para mim vale). E mais formidável que isso: eu também ME perdoei.

Passou 1, 2, 3... 9 meses até que eu pudesse, enfim, constatar o óbvio: Acabou. Doeu. Muito. Mas, passou. Superei. Estou livre.

Hoje entendo, vejo e vivo o que Richard disse a Liz.

“Algum dia você vai olhar para trás, para este momento da sua vida, e pensar que época deliciosa de luto ele foi. Vai ver que estava lamentando a sua perda, e que o seu coração estava despedaçado, mas que a sua vida estava mudando, e que você estava no melhor lugar possível do mundo para fazer isso: em um lindo lugar de adoração, cercada de graça. Aproveite esse tempo, aproveite cada minuto.” (sic).

Minha vida mudou e continuará mudando.
Não estive estática e inerte a tudo o que me ocorreu. Pelo contrário, eu batalhei, pelejei e venci.
Agora, estou aproveitando esse tempo, cada minuto, cada segundo dele.

Bjo, bjo

0 E mais um ciclo se fecha... Dra. Jolie!

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
“Mas não sei se tenho muita escolha. Procurei freneticamente o contentamento durante tantos anos, de tantas maneiras, e todas essas aquisições e realizações - elas no fim acabam com a sua energia. Se você correr atrás da vida com sofreguidão demais, ela leva à morte.

O tempo - quando perseguido como um bandido - se comporta como um bandido; está sempre uma fronteira ou uma sala na sua frente, mudando de nome e de cor de cabelo para enganar você, saindo pela porta dos fundos do hotel no mesmo instante em que você chega ao lobby com seu mais recente mandado de busca, deixando apenas um cigarro aceso no cinzeiro como provocação. Em determinado momento, você precisa parar, porque ele não vai parar. Você precisa reconhecer que não vai pegá-lo. Que a idéia não é pegá-lo. Em determinado momento, como Richard não pára de me repetir, você precisa relaxar, ficar sentado e deixar o contentamento vir até você.


Relaxar, obviamente, é uma empreitada assustadora para aqueles de nós que acreditam que o mundo só gira porque tem uma alavanca em cima que nós mesmos giramos e que, se largássemos essa alavanca por um instante que fosse, bem — seria o fim do universo. Mas tente largar, Sacolão. Essa é a mensagem que estou recebendo. Fique sentada bem quietinha agora e ponha um fim à sua participação incessante. Veja o que acontece. No final das contas, os pássaros não despencam mortos do céu no meio do vôo. As árvores não murcham nem morrem, os rios não se enchem de sangue rubro. A vida continua. Até mesmo o serviço de correio italiano prossegue na sua marcha trôpega, tocando sua vida sem você — o que lhe dá tanta certeza de que o seu microgerenciamento de cada instante deste mundo é tão essencial? Por que você não esquece isso?

Ouço essa argumentação e ela me atrai. Intelectualmente, acredito nela. Acredito mesmo. Mas, em seguida, eu me pergunto - com todo meu afã incansável, com todo meu fervor exaltado e com toda essa minha natureza estupidamente faminta: o que devo fazer com minha energia, então? A resposta também chega: Procure Deus, sugere minha Guru. Procure Deus como um homem com a cabeça em chamas procura por água.

(Mais um trecho do livro "Comer, rezar, amar" de Elizabeth Gilbert)



Boa noite Blogueiros queridos,

Segunda-feira, 26/12: mais uma, dentre tantas datas marcantes no ano de 2011.

Hoje minha terapia teve fim.

Como me perguntaram mais cedo: "vc teve alta?" 
- Sim, respondi. Eu tive. Rsrsrs.

Confesso que estou e, contraditoriamente não estou, feliz com isso.

Me acostumei, me apeguei, aprendi a amar, de fato, a querida e maravilhosa Dra. Jolie - minha psico, o anjo que Deus colocou no meu caminho para me auxiliar nessa travessia tortuosa e surpreendente.


Nesses 9 meses de terapia pude aprender a enxergar a vida, a minha própria vida, com outros olhos.

Hoje, no encerramento desse processo analítico de auto-conhecimento, de valorização do "eu", de redescoberta de "quem sou", consegui elaborar e reconhecer pontos importantes e específicos dessa trajetória.

Ao contrário do que proferia aos quatro ventos, minha vida em 2011 não foi um caos. Claro, tive muitos altos e baixos, momentos de dor e sofrimento atroz, porém, também experimentei e vivenciei o sentimento de alegria e júbilo únicos.

Quis compartilhar esse texto com vocês porquanto me vejo refletida nele.
Em 2011, talvez, mais do que nunca, busquei freneticamente o contentamento, de várias maneiras, em inúmeros lugares e em muitas pessoas... contudo, todas essas aquisições e realizações, no fim, acabaram com minha energia.

Chego ao final desse ano estafada, exausta, sobrecarregada, mas em PAZ, comigo e com Deus.

Paz!

Quanto tempo eu a procurei, sem saber que estava todo o tempo ao alcance das minhas mãos...
E não somente a paz, mas a calmaria, o contentamento, o bem estar de se encontrar próximo, protegido e amado por aquele que nunca nos deixa sós.

Deus.

Não dá para maximizar constantemente os problemas.
Não dá para ver a vida de forma tão pessimista e sem esperança.
Não dá para se perder no sentimento de auto-comiseração e afundar, junto dele.

Não dá para fechar os olhos para tanta coisa boa que aconteceu e que continuará acontecendo.
Não dá para desprezar as chances de viver algo novo, pelo simples fato de temer o sofrimento outra vez.
Não dá para deixar de sorrir, sonhar, desejar, crer numa vida melhor.

Não dá pra parar no tempo.
O tempo não para, já cantava Cazuza, e eu, vou avançar. Ou melhor, continuarei.

Mais um ano que se encerra; muitas coisas ficarão para trás, outras para trás já ficaram.

2012 está às portas, como vc irá encará-lo?

Eu, por minha vez, vou de peito aberto, sorriso maroto no rosto e a esperança calcada aos pés do meu Amor Maior...

Jesus.

Bjo, bjo!

0 Intermináveis ondas de transformação

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
“Considero muito reconfortante a resistência do Augusteum, o fato de essa estrutura ter tido uma história tão atribulada e, mesmo assim, ter sempre conseguido se ajustar à loucura específica de cada época. Para mim, o Augusteum é como alguém que levou uma vida totalmente louca - alguém que talvez tenha começado como dona de casa, depois inesperadamente ficado viúva, em seguida virado dançarina para ganhar dinheiro, de alguma forma tenha se tornado a primeira dentista mulher do espaço sideral, e depois tentado a sorte na política - e que, mesmo assim, conseguiu manter intacta a consciência de si próprio durante cada reviravolta.
Olho para o Augusteum e penso que, no final das contas, talvez a minha vida na verdade não tenha sido tão caótica assim. É apenas este mundo que é caótico e nos traz mudanças que ninguém poderia ter previsto. O Augusteum me alerta para eu não me apegar a nenhuma idéia inútil sobre quem sou, o que represento, a quem pertenço ou que função eu poderia ter sido criada para executar. Sim, eu ontem posso ter sido um glorioso monumento a alguém - mas amanhã posso virar um depósito de fogos de artifício. Até mesmo na Cidade Eterna, diz o silencioso Augusteum, é preciso estar preparado para tumultuosas e intermináveis ondas de transformação.”

(Texto extraído do livro Comer, rezar, amar de Elizabeth Gilbert)

Então...

O blog esteve um pouco abandonado nos últimos dias. Eu sei.
O fato é que eu, assim como o Augusteum, apesar de ainda estarmos de pé, não esperávamos algumas mudanças caóticas e inesperadas.

Foi a perda de uma pessoa muito amada, uma coluna na família, um exemplo de homem, de fé e de amor;
Foi estar diante de alguém que, pela primeira vez em muito tempo, me fez desejar namorar outra vez;
Foi encarar uma mudança radical e desesperadora na vida desregrada que andava levando...

Estar diante da morte. Estar diante do amor. Estar diante do nada e, contraditoriamente, do tudo.

2011 está quase no fim e não vejo a hora de me despedir desse ano, que considero o mais tumultuado, confuso, terrível, angustiante, desestruturado e repleto das "intermináveis ondas de transformação.”

Estou de pé, mas não me pergunte como, pois a resposta eu não sei dizer.
O que sei agora é que meu coração está atordoado com tantas ideias e metas para 2012.
O maior anseio, posso confessar, é colocar no lugar todos os conceitos, conselhos, experiências e urgências aprendidas.

Antes que o ano chegue ao seu fim, compartilharei mais algumas coisas por aqui.
 
Me desejem sorte e sabedoria. Desejo o mesmo a cada um de vocês.
 
Bjo, bjo

0 E a semana está apenas começando

segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Boa noite,

Queria escrever muita coisa, mas peço licença para expressar a tumultuosidade dos meus pensamentos através das frases do adorável Caio Fernando Abreu e da maravilhosa Clarice Lispector.

...porque para um bom entendedor um pingo é letra.

Bjo, bjo e boa semana.


"Ando um pouco para dentro, não sei se você entende. Me fechei um pouco, de tudo. Me abri para mim, me fechei para o resto. Ainda não sei se é certo ou no que vai dar, mas garanto que estou me descobrindo um pouco."

"É só uma questão de se encontrar. Porque às vezes eu me perco e fico me procurando, e não me acho."

"Tô tirando férias, dando um tempo disso. Chega de amar, chega de me doar, chega de me doer."

"Eu preciso muito deixar acontecer o momento da renovação, trocar de pele, mudar de cor. Tenho sentido necessidades do novo, não importa o quê, mais que seja novo, nem que sejam os problemas. Preciso deixar a casa vazia para receber a nova mobília. Fazer a faxina da mente, da alma, do corpo e do coração. Demolir as ruínas e construir qualquer coisa nova, quem sabe um castelo."

"Você percebe que é forte quando se vê obrigada a desistir da pessoa que nunca imaginou ser capaz de deixar um dia."

"Supere isso. E se não puder superar, supere o vício de falar a respeito"

"A carne é fraca, a alma é safada e o diabo ainda atenta."

"Estou aceitando o fato de que algumas pessoas nasceram para sentir o amor, mas não para viver um."

"Porque a vida segue. Mas o que foi bonito fica com toda a força. Mesmo que a gente tente apagar com outras coisas bonitas ou leves, certos momentos nem o tempo apaga."

(Caio Fernando Abreu)



"Eu sou assim, quero tudo e quero agora. Uns chamam de mimada, mas eu prefiro decidida."

(Clarice Lispector)

Falar mais o quê?!?!??

Bjo, bjo e que Deus me ajude.

1 Consciência da morte e a lucidez

domingo, 14 de agosto de 2011
"A consciência da morte nos dá uma maravilhosa lucidez. (...) O fato é que, sem que o saibamos, todos nós estamos enfermos de morte e é preciso viver a vida com sabedoria para que ela, a vida, não seja estragada pela loucura que nos cerca." (Rubem Alves)

Olá Blogueiros,

Apesar do atual estado "zen" de espírito, tenho vivido dias de constantes oscilações, o que me faz repensar muito minha vida.

Crescer dói.

Descobrir algumas verdades que vc se nega a crer, dói ainda mais.

As pessoas mentem, e mentem o tempo todo. Juro que isso não entra na minha cabeça.
Oras, porque mentir? Pra quê enganar? Pra quê vestir uma máscara, a fim de burlar seu próprio eu?
Que tipo de pessoa é vc que não tem coragem, nem mesmo, de se enfrentar? De se olhar no espelho?

Gente, como pode ser isso?

Sei lá...
Sempre aprendi a dizer a verdade, a assumir as consequências, a ser sincera e leal, mas que praga é essa que me rogaram e que só me traz pessoas falsas, mesquinhas, egoístas, mentirosas e hipócritas?

E o pior de tudo: como é que me deixo enganar?
Por acaso existe algum sensor, um alerta, um alarme que soa quando pessoas ruins, do tipo "lobo em pele de cordeiro" se aproximam?

Existe?!

Se houver, EU QUERO! Quero comprar logo uma penca dessa parafernália preventiva, isso sim.

Comecei a ler "Variações sobre o prazer" de Rubem Alves essa semana, e estou amando. A citação de hoje, foi extraída justamente desse livro.


Gosto de ler, e quando vejo e sinto minh'alma conversando com o autor, gosto ainda mais, e com Rubem Alves não tem sido diferente.

A ideia da "consciência da morte" vinculada diretamente a "lucidez" é algo desafiador. E como mencionado alhures,  o fato é que, sem que o saibamos, todos nós estamos enfermos de morte e é preciso viver a vida com sabedoria para que ela, a vida, não seja estragada pela loucura que nos cerca.

A loucura que nos cerca, nos adoece. Nos mata, paulatina e sutilmente e eu não quero mais viver assim.


Quero ter consciência da morte, para dar valor somente ao que importa, para aproveitar melhor o meu tempo e me dedicar àquilo e, àqueles, que são essenciais.

A vida não é fácil e as pessoas, são quase impossíveis, mas não vale a pena viver pensando e sofrendo invariavelmente por isso.

Tô tentando mudar.

Tô tentando me libertar das dores e decepções.

Eu só quero viver minha vida com sabedoria, a fim de evitar a ruína pela loucura que me cerca.

Sabedoria amigos, para todos nós.

Bjo, bjo

0 É tempo de lembrar direito

segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Boa noite Blogueiros,

Tudo bem com vcs?
Saudade de escrever e não, não tô tendo tempo pra nada nessa vida. Parece que desde que voltei de viagem as coisas perderam o controle. Não consigo finalizar meus prazos, não consigo rever todos os amigos, ainda não apareci na Academia de Dança.
Aff... uma correria louca!!!!!
Mas tudo bem, a vida segue.

Então, acho que já notaram minha nova paixão: MARTHA MEDEIROS.
Nada dotado de cunho sexual, mas sim, espiritual, intelectual, emocional, tragicômico, de tudo um pouco! rs. Às vezes me pego pensando: Oooh meu pai, que mulher é essa?!!?

Martha Medeiros é a escritora com quem mais me identifico atualmente. É ela quem me descreve com extrema precisão e detalhe, sobre o que penso, sinto e acredito, a ponto de me assustar. O cargo era presidido com certa excluisividade por Clarice Lispector, mas preciso abrir um espaço todo especial pra Martha.


Martha Medeiros

Semana passada foi o niver de uma amigona, e pra mim, livro é sempre um presente maravilhoso! Resolvi comprar o livro de crônicas "Doidas e Santas" para presenteá-la, e acabei comprando pra mim o romance "Fora de Mim". Num próximo post quero falar desse livro, que é perfeito! Mas hoje, só quero compartilhar e comentar mais uma crônica com vcs.

"LEMBRANÇAS MAL LEMBRADAS

A maioria dos nossos tormentos não vem de fora, está alojada na nossa mente, cravada na nossa memória. Nossa sanidade (ou insanidade) se deve basicamente à maneira como nossas lembranças são assimiladas. "As pessoas procuram tratamento psicanalítico porque o modo como estão lembrando não as libera para esquecer". Frase do psicanalista Adam Phillips, publicada no livro "O flerte".

Como é que não pensamos nisso antes? O que nos impede de ir em frente é uma lembrança mal lembrada que nos acorrenta no passado, estanca o tempo, não permite avanço. A gente implora a Deus para que nos ajude a esquecer um amor, uma experiência ruim, uma frase que nos feriu, quando na verdade não é esquecer que precisamos: é lembrar corretamente. Aí, sim: lembrando como se deve, a ânsia por esquecimento poderá até ser dispensada, não precisaremos esquecer de mais nada. E, não precisando, vai ver até esqueceremos.

Ah, se tudo fosse assim tão simples. De qualquer maneira, já é um alento entender as razões que nos deixam tão obcecados, tristes, inquietos. São as tais lembranças mal lembradas.

Você fez 5 anos, sonhava ganhar a primeira bicicleta, seu pai foi viajar e esqueceu. Uma amiga íntima, que conhecia todos os seus segredos, roubou seu namorado. Sua mãe é fria, distante, e percebe-se que ela prefere disparadamente sua irmã mais nova. E aquele amor? Quanta mágoa, quanta decepção, quanto tempo investido à toa, e você não esquece - passaram-se anos e você, droga, não esquece.

Essas situações viram lembranças, e essas lembranças vão se infiltrando e ganhando forma, força e tamanho, e daqui a pouco nem sabemos mais se elas seguem condizentes com o fato ocorrido ou se evoluíram para algo completamente alheio à realidade. Nossa percepção nunca é 100% confiável.

O menino de 5 anos superdimensionou uma ausência que foi emergencial, não proposital.

Você nem gostava tanto assim daquele namorado que sua amiga surrupiou (aliás, eles estão casados até hoje, não foi um capricho dela).

Sua mãe tratava as filhas de modo diferenciado porque cada filho é de um modo, cada um exige uma demanda de carinho e atenção diferente, o dia que você tiver filhos vai entender que isso não é desamor.

E aquele cara perturba seu sono até hoje porque você segue idealizando o sujeito, recusa-se a acreditar que o amor vem e passa. Tudo parecia tão perfeito, ele era o tal príncipe do cavalo branco sem tirar nem pôr. Ajuste o foco: o coitado foi apenas o ser humano que cruzou sua vida quando você estava num momento de carência extrema. Libere-o desta fatura.

São exemplos simplistas e inventados, não sou do ramo. Mas Adam Philips é, e me parece que ele tem razão. Nossas lembranças do passado precisam de eixo, correção de rota, dimensão exata, avaliação fria - pena que nada disso seja fácil. Costumamos lembrar com fúria, saudade, vergonha, lembramos com gosto pelo épico e pelo exagero. Sorte de quem lembra direito."

Martha Medeiros
Gente, fico impressionada com o que Martha Medeiros escreve.
Hoje levei mais uma rasteira da vida, mas foi bom, bom pra "lembrar direito".
Na última sexta-feira, ao abrir os convites de MSN levei um susto. Adivinha quem me add???

Isso mesmo meu bem, o ex.

Primeira reação: Surpresa.
Segunda reação: Dúvida. Afinal, o que ele quer comigo?
Terceira reação: Medo.
Quarta reação: Ausência de reação, hahaha.

O fds de semana passou e eu não tomei atitude alguma nesse particular. Preferi deixar o convite em aberto, e esperar minhas ideias se organizarem. Hoje, depois de falar com a Dra. Jolie, decidi que seria melhor esperar um pouco. Resolvi deixar o convite em aberto, até que me fizeram "lembrar direito".

Oooooo ser #$%¨&*!@#$$%!

Gente, pois vcs não acreditam que o ex, desde os tempos do namoro, vivia tecendo comentários impróprios, inadequados, inoportunos sobre mim, sobre o relacionamento e sobre nossa intimidade para os amigos, ex namoradas/peguetes/piriguetes e compania ilimitada!??!?!

Que ÓDIO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Puta que pariu! Como fui tão estúpida! Como fui tão idiota, tola, crédula, imbecil e cega de amor assim????? Me explica isso, porque não consigo entender!

Sinceramente, eu não reconheço a pessoa com quem dividi meu tempo, entreguei meu coração e minha alma, os meus sonhos, projetos, anseios, desejos, tudo. Tudo. Quem é vc ex???? Eu nunca te conheci! Como pode ser isso? Como nunca vi quem vc realmente era??!?? Como isso é possível????

Depois de saber tudo que ele andou falando, fazendo e me difamando, mais do que depressa rejeitei o maldito convite no MSN. E, Deus me livre dessa hora, mas caso surja outra coisa, outro convite, qualquer tipo ou tentativa de aproximação, quero e vou continuar rejeitando tudo, sem pensar duas vezes.

Olha, dia após dia descubro que me relacionei com um estranho; com uma pessoa que aparentava ser algo, mas que na verdade é totalmente o oposto de tudo o que eu pensei.

Mas foi bom saber disso. Melhor saber a verdade do que continuar enganada, iludida, enfeitiçada ou acreditando numa mentira. E é nisso que a crônica "Lembranças mal lembradas" se encaixa com perfeição.

De fato, o que nos impede de ir em frente é uma lembrança mal lembrada que nos acorrenta no passado, estanca o tempo, não permite avanço.

A medida que nossas lembranças do passado encontram seu eixo, correção de rota, dimensão exata, avaliação fria, liberta do gosto pelo épico e pelo exagero, é que lembramos direito. E é assim que tenho enxergado agora.

Enxergado não, lembrado direito.

Bjo, bjo

1 A interferência do tempo e o Amor tranquilo, com sabor de fruta mordida.

quarta-feira, 27 de julho de 2011
A INTERFERÊNCIA DO TEMPO (Martha Medeiros)


Há quem diga que o tempo não existe, que somos nós que o inventamos e tentamos controlá-los com nossos relógios e calendários. Nem ousarei discutir essa questão filosófica, existencial e cabeluda. Se o tmepo não existe, eu existo. Se o tempo não passa, eu passo. E não é só o espelho que me dá a certeza disso.

O tempo interfere no meu olhar. Lembro do colégio em que estudei por mais de uma década, meu primeiro contato com o mundo fora da minha casa. O pátio não era grande - era colossal. Uma espécie de superfície lunar sem horizontes à vista, assim eu o percebia aos sete anos de idade. As escadas levavam ao céu, eu poderia jurar que elas atravessavam os telhados. Os corredores eram passarelas infinitas, as janelas pareciam enormes portões de vidro, eu me sentia na terra dos gigantes. Volto, depois de muitos anos, para visitá-lo e descubro que ele continua sendo um colégio grande, mas nem o pátio, nem os corredores, nem as escadas, nada tem o tamanho que parecia ter antes. O tempo ajustou minhas retinas e deu proporção as minhas ilusões.

A interferência do tempo atinge minhas emoções também. Houve uma época em que eu temia certo tipo de gente, aqueles que estavam sempre a postos para apontar minhas fraquezas. Hoje revejo essas pessoas, e a sensação que me causam não é nem um pouco desafiadora. E mesmo os que amei já não me provocam perturbação alguma, apenas um carinho sereno. Me pergunto como é que se explica que sentimentos tão fortes como o medo, o amor ou a raiva se desintegrem. Alguém era grande no meu passado, fica pequeno no meu presente. O tempo, de novo, dando a devida proporção aos meus afetos e desafetos.


Talvez seja essa a prova da sua existência: o tempo altera o tamanho das coisas. Uma rua da infância, que exigia muitas pedaladas para ser percorrida, hoje é atravessada em poucos passos. Uma árvore, que para ser explorada exigia uma certa logística - ou ao menos um "calço" de quem estivesse por perto e com as mãos livres -, hoje teria seus galhos alcançados num pulo. A gente vai crescendo e vê tudo do tamanho que é, sem a condescendência da fantasia.

E ainda nem mencionei as coisas que realmente foram reduzidas: apartamentos que parecem caixotes, carros compactos, conversas telegráficas, livros de bolso, pequenas salas de cinema, casamentos curtos. Todo aquele espaço da infância, em que cabia com folga nossa imaginação e inocência, precisa hoje se adaptar ao micro, ao mínimo, a uma vida funcional.

Eu cresci. Por dentro e por fora (e, reconheço, pros lados). Sou gente grande, como se diz por aí. E o mundo à minha volta, à nossa volta, virou uma aldeia, somos todos vizinhos, todos vivendo apertados, financeira e emocionalmente falando. Saudade de uma alegria descomunal, de uma esperança gigantesca, de uma confiança do tamanho do futuro - quando o futuro também era infinito à nossa frente.
Boa Noite Blogueiros,

Confesso que estou aficcionada por Martha Medeiras. Levei um livro de crônicas na viagem e o devorei rapidamente. A-d-o-r-e-i!

Gostei da forma simples, direta, mas não menos poética em que essa maravilhosa escritora trata temas cotidianos, porém, pertubadores.

Me identifiquei tanto! rs. Voltei com o livro todo riscado, cheio de pequenas anotações, nomes, datas, cidades por onde passei e as emoções afloradas e registradas a cada folha virada.

A "Interferência do Tempo" foi perfeita para mim. De fato, o tempo ajustou minhas retinas e deu proporção as minhas ilusões, o tempo realmente altera o tamanho das coisas, e a medida que crescemos vemos tudo do tamanho que é, sem a condescendência da fantasia. Eu cresci. Por dentro e por fora. Cresci muito.

Hoje, organizando algumas coisas no meu quarto, encontrei um livro que ganhei do ex, "O Pequeno Príncipe" em francês! E com todas as aquarelas! Deus sabe o quanto adorei esse mimo... Mas desde o término não encostei no livro.

Eu escondi tantas coisas que me lembravam esse amor, porque eu simplesmente não conseguia ver nada que me trouxesse a memória aquilo que eu só queria esquecer, e hoje, com o livro em mãos eu precisei enfrentar esse medo.

Logo ao abrir, caiu uma carta que estava guardada ali. Foi o segundo calafrio em menos de 5 minutos, rsrsrs. E sim, eu li. Li a dedicatória e li a carta, repetidas vezes e foi incrível!

Hoje, passados quase 5 meses desde o término eu me enfrentei, e me surpreendi. Pela primeira vez, eu vi que realmente nos amamos no passado. Eu amei o ex loucamente e fui correspondida! Não era uma mentira, não era uma invenção minha, não era quimera, era real.

Era real, só acabou. Foi eterno enquanto durou. Foi intenso, obsessivo e doentio sim, mas foi a melhor coisa que me aconteceu e a pior também, rs. Ele mudou a minha vida. Eu me transformei por ele e para ele e sei também, que ele mudou por mim. A gente se adapta ao outro num relacionamento. Se vc gosta, vc tenta, se dedica, e às vezes consegue muito mais do que deveria, rs.

Apesar dos calafrios e do medo momentaneo eu fiquei tão feliz. Feliz pela constatação de que amei e fui amada, e que por um tempo deu certo, depois não mais.

Não perdurou, é verdade, mas foi amor. Foi amor.

Ver, saber e sentir isso e ainda assim, ter paz é minha maior conquista.
Eu cresci tanto. Eu mudei tanto. Eu amadureci. E eu preciso repetir, rs, o tempo ajustou minhas retinas e deu proporção as minhas ilusões, o tempo realmente altera o tamanho das coisas, e agora vejo tudo do tamanho que é, sem a condescendência da fantasia.

Confesso que preferia ver o mundo cor-de-rosa, pois quando ingênua e crédula, era mais fácil sonhar. Amar como eu amei, eu não quero nunca mais. Não assim, sem juízo e equilíbrio. Não mais avassalador. Não mais destruidor. Nada de céu e inferno ao mesmo tempo.

Agora, só quero "a sorte de um amor tranqüilo, com sabor de fruta mordida. Nós na batida, no embalo da rede, matando a sede na saliva" (Cazuza).

É isso ae galera, é a vez do amor tranquilo, com sabor de fruta mordida...

Bjo, bjo

PS: Sei que repeti a crônica, mas é que ela é perfeita demais pra situação. Não dava pra não usar.

0 A interferência do Tempo

sexta-feira, 1 de julho de 2011
"Há quem diga que o tempo não existe, que somos nós que o inventamos e tentamos controlá-lo com nossos relógios e calendários. Nem ousarei discutir esta questão filosófica, existencial e cabeluda. Se o tempo não existe, eu existo. Se o tempo não passa, eu passo. E não é só o espelho que me dá certeza disso.

O tempo interfere no meu olhar. Lembro do colégio em que estudei durante mais de uma década, meu primeiro contato com o mundo fora da minha casa. O pátio não era grande – era colossal. Uma espécie de superfície lunar sem horizontes à vista, assim eu o percebia aos sete anos de idade. As escadas levavam ao céu, eu poderia jurar que elas atravessavam os telhados. Os corredores eram passarelas infinitas, as janelas pareciam enormes portões de vidro, eu me sentia na terra dos gigantes. Volto, depois de muitos anos, para visitá-lo e descubro que ele continua sendo um colégio grande, mas nem o pátio, nem os corredores, nem as escadas, nada tem o tamanho que parecia antes. O tempo ajustou minhas retinas e deu proporção às minhas ilusões.

A interferência do tempo atinge minhas emoções também. Houve uma época em que eu temia certo tipo de gente, aqueles que estavam sempre a postos para apontar minhas fraquezas. Hoje revejo essas pessoas e a sensação que me causam é nem um pouco desafiadora ou impactante. E mesmo os que amei já não me provocam perturbação alguma, apenas um carinho sereno. E me pergunto como é que se explica que sentimentos tão fortes como o medo, o amor ou a raiva se desintegrem? Alguém era grande no meu passado, fica pequeno no meu presente. O tempo, de novo, dando a devida proporção aos meus afetos e desafetos.

Talvez seja esta a prova da sua existência: o tempo altera o tamanho das coisas. Uma rua da infância, que exigia muitas pedaladas para ser percorrida, hoje é atravessada em poucos passos. Uma árvore que para ser explorada exigia uma certa logística – ou ao menos um “calço” de quem estivesse por perto e com as mãos livres – hoje teria seus galhos alcançados num pulo. A gente vai crescendo e vê tudo do tamanho que é, sem a condescendência da fantasia.

E ainda nem mencionei as coisas que realmente foram reduzidas: apartamentos que parecem caixotes, carros compactos, conversas telegráficas, livros de bolso, pequenas salas de cinema, casamentos curtos. Todo aquele espaço da infância, em que cabia com folga nossa imaginação e inocência, precisa hoje se adaptar ao micro, ao mínimo, a uma vida funcional.

Eu cresci. Por dentro e por fora (e, reconheço, pros lados). Sou gente grande, como se diz por aí. E o mundo à minha volta, à nossa volta, virou aldeia, somos todos vizinhos, todos vivendo apertados, financeira e emocionalmente falando. Saudade de uma alegria descomunal, de uma esperança gigantesca, de uma confiança do tamanho do futuro – quando o futuro também era infinito à minha frente." (Martha Medeiros) 

Boa noite Blogueiros,

Sumi por uns dias e foi tudo uma loucura, mas valeu a pena, minhas férias começaram! Acabo de chegar em Bienne na Suíça. Começo agora a viver um sonho que muito lutei para realizar, e ainda não consigo acreditar que estou aqui!

Foram meses planejando a viagem, e mais tempo ainda juntando grana. Volto pro Brasil no finalzinho de julho, e já sinto saudades do que ainda estou pra viver aqui.

Nas últimas semanas, ou melhor, nos últimos meses tenho vivido uma reviravolta completa. Meu mundo desabou, me senti só e triste como nunca. "Perdi" aquele quem eu pensava - equivocadamente - ser o amor da minha vida. Tive todos os sonhos, ilusões e esperanças destruídas. Meu coração foi partido em tantos pedaços que desejei nunca ter conhecido o amor. Nunca.

Chorei, sofri, padeci. Me arrependi de tudo e ainda me arrependo. Senti raiva e ódio, despeito, dor e a maior desilusão da vida, mas SOBREVIVI. Sim, eu SOBREVIVI!
É estranho e surpreendente me deparar com a força que existe em mim. É algo que sequer sabia que existia. Me senti tão fraca e tola, e provavelmente fui. Mas, como disse a Martha Medeiros, o tempo altera o tamanho das coisas, a medida que cresço, vejo tudo do tamanho que realmente é, sem a condescendência da fantasia. Sim, agora, eu posso ver.

Eu cresci, tô crescendo e não tem sido nada fácil, todavia estou experimentando tantas coisas novas e únicas que só posso dizer que está valendo a pena.

Vou me despedindo de vcs queridos, porquanto o fuso horário bagunçou meu relógio biológico e já está bem tarde por aqui... Sempre que possível atualizarei o blog e postarei algumas fotos da viagem.

Paz pra gente. Tudo o que mais quero.

Bisou! Bisou!

2 Não era amor, era um superlativo fantasioso da realidade.

segunda-feira, 6 de junho de 2011
Olá blogueiros queridos,
Antes de tudo quero que leiam o texto abaixo, extraído do livro Os Quatro Amores de C.S. Lewis, em seguida tecerei alguns comentários...
"De Vênus, o ingrediente carnal no íntimo de Eros, volto-me agora para Eros como um todo. Veremos aqui repetido o mesmo padrão. Como Vênus em Eros não almeja realmente o prazer, também Eros não visa a felicidade. Podemos julgar que o faz, mas uma vez feito o teste o resultado é outro.

Todos sabem que é inútil tentar separar amantes provando que seu casamento será infeliz. Não só pelo fato de que não irão acreditar em suas palavras, pois mesmo que acreditassem não seriam dissuadidos. Quando Eros está em nós essa é justamente uma de suas marcas: preferimos ser infelizes com o ente amado a ser felizes em quaisquer outros termos. Mesmo que os dois amantes sejam pessoas amadurecidas e experimentadas que saibam que corações partidos acabam por curar-se e possam prever claramente que, uma vez decididos a enfrentar a agonia da despedida, seriam certamente mais felizes dentro de dez anos do que o casamento em vista provavelmente os faria - mesmo assim não se separariam.

Todos esses cálculos são irrelevantes para Eros - da mesma forma que o julgamento brutal de Lucrécio é irrelevante para Vênus. Mesmo quando se toma claro, além de qualquer subterfúgio, que a união com o ser amado não trará felicidade quando não pode nem mesmo professar oferecer qualquer outro tipo de vida além de cuidar de um inválido incurável, da pobreza sem esperanças, do exílio ou da desgraça - Eros jamais hesita em dizer: “Antes isto do que a separação. Melhor ser miserável com ela do que feliz sem ela. Deixe que nossos corações se partam, desde que se partam juntos”. Se a voz em nosso íntimo não disser isto, não é a voz de Eros.

Esta a grandiosidade e o mal do amor.

(...) No esplendor de Eros é que se ocultam as sementes do perigo. Ele falou como um deus. Sua entrega total, sua desconsideração impetuosa da felicidade, sua transcendência da auto-consideração, soam como uma mensagem do mundo eterno. Ele não pode porém, em sua posição natural, ser a voz do próprio Deus. Pois Eros, falando justamente com essa grandiosidade e manifestando essa transcendência do “eu”, pode impelir tanto para o mal como para o bem. Nada é mais superficial do que a crença de que o amor que leva ao pecado é sempre qualitativamente inferior - mais animal e mais trivial - àquele que leva ao casamento cristão fiel e produtivo.

O amor que leva a uniões cruéis e perjuras, até mesmo a pactos suicidas e assassinato, nem sempre é produto da sensualidade exacerbada nem do sentimento mal aplicado. Pode ser muito bem Eros em todo o seu esplendor, legitimamente sincero, pronto para qualquer sacrifício menos a renúncia.

(...) Eros, porém, honrado sem reservas e obedecido incondicionalmente, toma-se um demônio. E é justamente assim que ele alega ser honrado e obedecido. Divinamente insensível ao nosso egoísmo, ele é também demonicamente rebelde a qualquer reivindicação de Deus ou do homem que possam opor-se a ele.

(...) E o tempo todo a pilhéria trágica é que este Eros cuja voz parece falar do reino eterno não é, ele mesmo, nem sequer necessariamente permanente, pois notoriamente é o mais mortal de nossos amores. O mundo ressoa com as queixas sobre a sua volubilidade. O que confunde é a combinação desta inconstância com seus protestos de permanência. Estar amando é tanto pretender como prometer fidelidade por toda a vida. O amor faz juramentos não solicitados, não podendo ser impedido de fazê-los. “Serei sempre fiel” são quase as primeiras palavras que profere. Não com hipocrisia, mas sinceramente. Nenhuma experiência irá curá-lo dessa ilusão. 
(...) Eros porém num certo sentido tem o direito de fazer esta promessa. A ventura de estar amando é de tal natureza que estamos certos em rejeitar como intolerável a idéia de que, o acontecimento talvez seja transitório. De um só pulo ele transpôs a parede espessa do nosso “eu”; tornou altruísta o apetite em si, jogou para o alto a felicidade pessoal como uma trivialidade e plantou os interesses de outrem no centro de nosso ser. Espontaneamente e sem qualquer esforço cumprimos a lei (em relação a uma pessoa) de amar nosso próximo como a nós mesmos. Trata-se de uma imagem, uma antecipação, do que devemos tornar-nos para todos se o próprio Amor imperar em nós sem um rival. Existe até mesmo um preparo para isso. Deixar de amar novamente é - se posso inventar essa feia palavra - uma espécie de desredenção.

Eros é impelido a prometer o que Eros por si mesmo não pode cumprir."

 
Olá novamente queridos.
Lendo o livro de Lewis, meditando sobre minha própria vida, falando com Deus, amigos (incluo vc chéri) e a Dra. Jolie, cheguei a importantes conclusões.

Não amei o ex. Estive apaixonada. Completamente, perdidamente, insanamente, tresloucadamente - é verdade, mas não era amor, era paixão.

De acordo com o Wikipédia  "a paixão (do verbo latino, patior, que significa sofrer ou suportar uma situação dificil) é uma emoção de ampliação quase patológica. O acometido de paixão perde sua individualidade em função do fascínio que o outro exerce sobre ele. É tipicamente um sentimento doloroso e patológico, porque, via de regra, o indivíduo perde parcialmente a sua individualidade, a sua identidade e o seu poder de raciocínio."

Ainda, de acordo com o Wikipédia:

"O sentimento exacerbado entre duas pessoas, é um exemplo de uma paixão. A paixão pode ultrapassar barreiras sociais, diferenças de formação, idades e gêneros. A paixão completamente correspondida causa grandiosa felicidade e satisfação ao apaixonado, pelo contrário qualquer dificuldade para atigir essa plenitude pode trazer grande tristeza pois o apaixonado só se vê feliz ao conseguir o objeto de sua paixão. A paixão é uma patologia amorosa, um superlativo fantasioso da realidade sobre o o outro, tendo em vista que o indivíduo apaixonado se funde no outro, ou seja, perde a sua individualidade, que só é resgatada quando na presença do outro. 

Com o passar do tempo, essa intensidade de fusão vai se esvaindo, tendo em vista que a paixão é uma idealização mítica do outro. Quando o apaixonado começa a perceber que essa idealização, com o passar do tempo, foi equivocada, porquanto o outro não se comportava dentro do perfil de expectativas idealizado miticamente pelo apaixonado, é gerada uma intensa frustração, que passa a ser vivenciada com intensa irritabilidade pelo então apaixonado. 

Desta forma, o apaixonado vai percebendo o equívoco que cometeu, pela recorrência das frustrações no tocante às suas expectativas fantasiosas pelo outro, objeto da paixão e o processo começa então a regredir, a se inverter, com a paulatina volta e reforço da identidade do ex-apaixonado, que passa a enxergar o outro como ele realmente é, o que, via de regra pode até gerar um sentimento inverso de extrema repulsa, pelos sofrimentos suportados." (Sic, grifei).

Com o perdão da expressão gente: PUTA QUE PARIU! 

É ISSO! É EXATAMENTE ISSO! 

Foi uma maldita paixão! Nunca foi amor! Eu achei que fosse, tinha certeza (uma certeza equivocada), mas na verdade era o eros bandido, destruidor de corações. E putz! Como saber disso é bom! Quão libertador é! Eu estava cega, totalmente cega, não de amor, mas de paixão, P-A-I-X-Ã-O.

Sabe, todo santo dia me diziam que era questão de tempo pra desencanar desse malfadado relacionamento, e eu ficava indignada porque esse tempo não chegava, mas agora chegou.

O meu tempo chegou.

Só quero registrar meu OBRIGADO ao ex pelo "empurrãozinho" dado. Vê-lo com a garota com quem estava me traindo, tão pouco tempo tempo depois que terminamos foi destruidor, mas igualmente libertador. Naquele fátidico sábado, ele conseguiu numa tacada só MATAR TODO E QUALQUER SENTIMENTO BOM que havia preservado no meu coração.

Por isso, obrigado ex. Apesar da pior dor do mundo que me causou, sinto agora um alívio tão grande por saber que vc nunca existiu de verdade! Vc foi apenas uma mentira inventada, uma bela mentira, mas só isso. Vc não é bom, doce e amável como fingiu (e me enganou) ser. Vc nunca me amou, só me usou, me iludiu, me traiu e quando se cansou, me descartou, como se eu não fosse nada, como se eu não valesse nada, e me substituiu pela primeira leviana que apareceu. Vc ex, é apenas uma pessoa vazia e egoísta, que não ama ninguém a não ser vc mesmo.

Graças a Deus, a terapia e as pessoas que me amam de verdade, não precisei de mais 21 dias pra esquecer essa paixão, com cara de amor, só precisei conhecer o ex real para então reconhecer que sou muito melhor sem ele.

Não era amor, era só paixão.

Bjo, bjo e mais bjo.

0 Perto do Coração Selvagem

sexta-feira, 13 de maio de 2011
Boa tarde blogueiros.
Hoje algo estranho aconteceu.
Meu blog ficou fora do ar o dia todo. Travado. E o último post foi excluído pelo Blogger, assim como os comentários, sei lá por que cargas d'água. Tá tudo em pane. Fiquei temerosa. Entro em pânico só de pensar na possibilidade de perder tudo o que tenho aqui. Estranho. Muito estranho.

(Sexta-feira 13???? Será?! Não, não, não! Nada de superstição! Saaaaaaaai pra lá tudo de ruim!).

Acabo de escrever esse parágrafo e me surpreendo. Comecei a ler "Perto do Coração Selvagem" da maravilhosa Clarice Lispector (eu? fã em absoluto!) e vejo o quanto tal leitura me influencia. Influencia meu pensamento, meu humor e meu jeito de escrever. Bom bom bom.

E é refletindo sobre o que tenho lido que quero compartilhar com vcs um trecho do livro, bem conhecido. Espero que gostem.


"Olho por essa janela e a única verdade, a verdade que eu não poderia dizer àquele homem, abordando-o, sem que ele fugisse de mim, a única verdade é que vivo. Sinceramente, eu vivo. Quem sou? Bem, isso já é demais. Lembro-me de um estudo cromático de Bach e perco a inteligência. Ele é frio e puro como gelo, no entanto pode-se dormir sobre ele. Perco a consciência, mas não importa, encontro a maior serenidade na alucinação.

É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer, porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo. Ou pelo menos o que me faz agir não é o que eu sinto mas o que eu digo. Sinto quem sou e a impressão está alojada na parte alta do cérebro, nos lábios — na língua principalmente —, na superfície dos braços e também correndo dentro, bem dentro do meu corpo, mas onde, onde mesmo, eu não sei dizer. O gosto é cinzento, um pouco avermelhado, nos pedaços velhos um pouco azulado, e move-se como gelatina, vagarosamente.

Às vezes torna-se agudo e me fere, chocando-se comigo. Muito bem, agora pensar em céu azul, por exemplo. Mas sobretudo donde vem essa certeza de estar vivendo? Não, não
passo bem. Pois ninguém se faz essas perguntas e eu... Mas é que basta silenciar para só enxergar, abaixo de todas as realidades, a única irredutível, a da existência. E abaixo de todas as dúvidas — o estudo cromático — sei que tudo é perfeito, porque seguiu de escala a escala o caminho fatal em relação a si mesmo. Nada escapa à perfeição das coisas, é essa a história de tudo.

(...) Mas estou cansada, apesar de minha alegria de hoje, alegria que não se sabe de onde vem, como a da manhãzinha de verão. Estou cansada, agora agudamente! Vamos chorar juntos, baixinho. Por ter sofrido e continuar tão docemente. A dor cansada numa lágrima simplificada. Mas agora já é desejo de poesia, isso eu confesso, Deus."


Bjo, bjo e uma sexta-feira 13 repleta de coisas boas!!!!

0 Os quatro amores

sábado, 7 de maio de 2011
Bonsoir blogueiros bonitos e queridos!
Como foi sua semana?
Novidades?
Eu tenho algumas...

Na última terça-feira, 05.04, fui ao show da Maria Gadú com um amigo muito especial. Críticas e reclamações sobre a organização, som e horário a parte. Apesar dos pesares, gostei muito da Gadú tímida e oscilante no palco, mas com sua inconfundível voz, doce e inebriante. Sou fã!

O trabalho foi estupefante! Termino a semana exausta e só quero dormir.
A dança, como sempre maravilhosa! O tango então... saio da aula exausta, porém, incrivelmente contente pela constante evolução do movimento. Bomdemais!
Amizade nova... poupa as palavras não é?!

Saudade da Dra. Jolie. Essa semana não pudemos nos encontrar, em decorrência de uma cirurgia que ela precisou fazer, mas na segundona, às 7h da matina, estarei lá, pronta pra falar, falar e falar, e saber dela tb.

Queria compartilhar com vc o trecho de um livro que estou lendo atualmente e que tem me aberto os olhos pra muita coisa... "Os quatro amores" de C.S. Lewis.

No livro, Lewis distingue a necessidade de amor (como o amor de uma criança para sua mãe) e o amor do depreendido-amor (epitomizado aqui de Deus pela humanidade).

Explica as naturezas mais básicas do amor até as mais complicadas, que a princípio, se parecem. Em consequência, Lewis formula a fundação para seu tópico (“o mais elevado não fica sem o mais baixo”) explorando a natureza do prazer, e divide então o amor em quatro categorias, baseadas nas quatro nas palavras gregas para o amor: afeição, amizade, eros e caridade.

Quero transcrever um trecho do 3º capítulo: Afeição, que me fez refletir bastante. Espero que goste.

"(...) O que temos não é o “direito de esperar” mas uma “expectativa razoável” de sermos amados pelas pessoas mais próximas, se nós e elas somos mais ou menos comuns. Talvez, porém, não sejamos. É possível que sejamos intoleráveis. Quando somos,a “natureza” trabalha contra nós. Isso ocorre porque as mesmíssimas condições de intimidade que tornam possível a Afeição também tornam possível - e com a mesma naturalidade - uma repulsa peculiarmente incurável; um ódio tão imemorial, constante, unilateral e às vezes inconsciente, como a forma correspondente de amor.

Siegfried, na ópera, não podia lembrar-se de época alguma em que cada um dos resmungos, movimentos impacientes e o arrastar dos pés do seu enfezado pai adotivo não lhe fossem odiosos. Como no caso da afeição, nunca percebemos o momento em que surge esse ódio. Sempre existiu. (...)

Seria absurdo dizer que falta Afeição ao rei Lear. Na medida em que a Afeição é Amor-Necessidade, ele a tem em excesso. A não ser que, à sua maneira, ele amasse suas filhas, não desejaria tão desesperadamente o amor delas. Os pais menos dignos de amor (assim como os filhos) podem estar cheios desse amor voraz. Mas esse amor coopera com a infelicidade do amado e de todos os outros. A situação se torna sufocante. Quando as pessoas já são inamáveis, a exigência contínua da parte delas (como se de direito) de ser amadas — seu senso manifesto de injustiça, suas
acusações, quer em voz alta e clamorosas ou simplesmente implícitas em cada olhar e cada gesto de auto-piedade ressentida - produzem em nós uma sensação de culpa (sendo
essa a sua intenção) por um erro que não poderíamos evitar e que não deixaremos de cometer.

Elas fecham o acesso a mesma fonte em que desejam beber. Se algum dia, em algum momento especial, surge um átomo de Afeição por elas, passam a exigir ainda mais o que nos petrifica de novo. E, como é natural, tais indivíduos sempre desejam a mesma’ prova de nosso amor; devemos colocar-nos do seu lado, ouvir e partilhar toda a
sua queixa contra alguém mais. Se meu filho realmente me amasse ele veria como seu pai é egoísta... se meu irmão me amasse tomaria meu partido contra minha irmã... se você me amasse não permitiria que fosse tratado deste modo.

E não percebem em momento algum o verdadeiro caminho. “Se quer ser amado, seja amável”, disse Ovídio. Aquele velho e alegre réprobo queria dizer apenas: “Se quer atrair as garotas, seja atraente”, mas a sua máxima tem uma aplicação mais ampla. O galanteador era mais sábio em sua geração do que o Sr. Pontifex e o rei Lear.

O que realmente surpreende não é que essas exigências insaciáveis dos inamáveis sejam feitas algumas vezes em vão, mas que com freqüência sejam satisfeitas. (...)

Assim, o caráter “espontâneo” ou imerecido da Afeição, suscita uma odiosa interpretação errônea. O mesmo se pode dizer de sua naturalidade e informalidade."


Foda né?!
Perceber que o amor-necessidade corrói tudo de bom que existe num relacionamento é horrível. Só espero que junto com o relacionamento, tenha acabado igualmente esse tipo de amor na minha vida...

Bjo, bjo, bom sábado e muita reflexão.